A chegada ao reino

Portugal não anda bem e o mundo não passa melhor. A economia enregela, as pessoas desalentam-se, a desconfiança alastra. Mas entre nós não nos dobramos à inevitabilidade e à sua contrapartida nacional-conformista do português sem emenda.

Mobiliza-nos a convicção de que uma consciência pública mais forte é estrutural para um futuro possível melhor.

Não vivemos da política, mas assumimos que temos um compromisso cívico que nos leva a intervir e a cuidar do que é público com empenho não inferior ao que dedicamos às causas próprias.

Pensamos de maneiras muito diferentes. As nossas visões e opiniões não serão sempre coincidentes e podemos mesmo discordar. Mas reconhecemos claramente a importância do que nos liga: junta-nos este compromisso e também uma maneira de debater que prefere os argumentos aos sectarismos, os questionamentos às obediências, a realidade que nos exige atenta interpretação como alternativa à autocomplacência de esquematismos certos de si.

Demasiadas certezas quando, dizia Hamlet, “há mais coisas no céu e na terra do que as que sonha a tua filosofia!”

Acreditamos no poder das palavras e na discussão argumentada de ideias sobre a coisa pública. Por isso praticamos aqui um discurso duas vezes civil – civil porque é esse o seu objeto, mas também civil porque é esse o seu método. A civilidade do discurso civil, sem receios de desalinhamento, convictos de que por aqui passam as fraquezas e as esperanças do país, é aquilo que prometemos aos nossos leitores.

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Sobre André Barata

Filósofo, professor da Faculdade de Artes e Letras da Universidade da Beira Interior.
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