desporto – futebol – crise – conversa

“A crise grega é menos depressiva que a nossa” – Fernando Santos, Seleccionador da Grécia, no Diário Económico.

O menos depressiva aqui refere-se não ao jargão económico de redução da actividade económica, e sim à atitude das pessoas. Explicando, Fernando Santos toca na característica portuguesa de estar permanentemente a falar no assunto, normalmente para se queixar, dizer mal, e procurar uma solução que salve a situação de cada um, passando pelos pingos da chuva. O que vemos na televisão de luta com a polícia está limitado a uma pequena zona da capital.

Esta visão que ele transmite na verdade corrobora a visão que tenho recolhido de amigos gregos, que relatam uma vida diferente no dia a dia daquilo que se vê na televisão.

E por cá noto a nossa tendência para a amargura.

Lá como cá o apuramento para o europeu de futebol constituiu uma distracção positiva do dia a dia da crise. Mas pelos vistos por lá, fala-se menos. Por cá, fala-se muito, mas sem progressão. E cria-se um ambiente deprimido.

A redução da actividade económica  e a redução do rendimento disponível custa? certamente. É um recuo de dez anos, olhando para os números da pordata.pt,  mas há uma década atrás a vida em Portugal colocava-nos nos países desenvolvidos a nível mundial.

Não devemos deixar que a situação difícil em que nos encontramos actualmente gere um ambiente de desânimo e “conversa depressiva”, é importante que haja um esforço individual, que todos juntos se revelará no colectivo, de melhorar o nosso dia a dia.

Proponho o esforço de cada um ter como um dos seus objectivos diários arrancar uma gargalhada ou um sorriso a alguém. Só para combater a conversa da depressão e da crise.

 

Sobre Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa
Esta entrada foi publicada em Conversa, Crise. ligação permanente.

2 respostas a desporto – futebol – crise – conversa

  1. Álvaro Gomes Martins diz:

    Sempre era melhor o Fernando Santos fazer capas no Diário Económico e passarem a dar uma crónica semanal n’A Bola ao Vitor Gaspar…

  2. Francisco Velez Roxo diz:

    Acordar vivo e nao perder o andar e uma velha máxima do meu pai sempre que me queria incentivar com o seu querer e vontade de vencer.Depois de ler este post vou adapta-lo para ” jogar vivo e nao pensar só em fintas.Meter golos e preciso.Para nao morrer por detrás da baliza.Por mim a crise nao me ganhara o jogo nem que tenha de “roubar temporariamente o apito ao arbitro”🙂
    Abraço optimista e roxo.
    Fvroxo
    O

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