No reino do ensino superior

É sempre delicado escrever em causa própria. No entanto, não podia deixar passar a oportunidade de falar do ensino superior (de economia e gestão) no momento em que duas das escolas portuguesas de gestão, a Católica e a Nova, com as suas iguais denominações em inglês School of Business and Economics,  conseguiram entrar para o top 40 do ranking geral do Financial Times.

Parabéns à Católica, para além da satisfação do resultado obtido pela minha escola, a Nova.

Mas mais importante que este “afago do ego” das duas escolas, é reconhecer o que tem sido o percurso do ensino superior, e da ciência, em Portugal no contexto europeu. É clara a crescente abertura. É clara a vontade de estar junto do que de melhor se faz.

Mas olhemos numa perspectiva mais próxima do negócio. Quer a Católica quer a Nova procuram, no campo da gestão e economia que é que melhor conheço, captar alunos estrangeiros, sobretudo neste momento para os programas pós-licenciatura. Estas duas escolas têm mesmo um programa conjunto, o The LisbonMBA, que procura uma afirmação internacional.

Ora, esta aposta tem a característica importante de olhar para o ensino superior como um “bem transaccionável”, que pode ser exportado, através da captação de alunos de outros países para Portugal. Será uma exportação menos habitual, mas na sua natureza não é muito diferente do Turismo e do Golfe, por exemplo. E aposta em recursos humanos altamente qualificados, aproveita as vantagens do clima e hospitalidade portuguesas.

Assim, sendo uma “indústria” em que Portugal está agora a entrar, e admito que noutras áreas científicas se possa estar a dar o mesmo salto de visibilidade e afirmação internacional, é importante que o ensino superior seja encarado não como um serviço social, e sim como um “negócio”.

A componente de serviço social é prestada aos cidadãos portugueses, e pode ser organizada de diversas formas. A componente de “negócio” é prestada à Europa e ao mundo, e deverá ter a liberdade suficiente para se afirmar no contexto internacional.

Conseguiremos ter a flexibilidade mental para permitir a afirmação da academia portuguesa como uma indústria exportadora de conhecimento e geradora de valor? (tentei usar várias das buzzwords da moda, a ver se alguém dá mais atenção por isso).

 

 

(É pena que não haja rankings para as componentes de economia, dado que o Financial Times cobre apenas a componente de gestão, para ficarmos a conhecer como as escolas portuguesas com ensino e investigação de economia se medem em termos europeus)

Sobre Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas . ligação permanente.

Uma resposta a No reino do ensino superior

  1. André Barata diz:

    Eu vi a notícia. É um excelente resultado. Muitos parabéns e votos de sucesso para a Nova School of Business and Economics!

Os comentários estão fechados.