Cumprir ou não cumprir Quioto, não é a questão

O governo Canadiano anunciou com todo o desplante que não irá cumprir e que assim abandona o Protocolo de Quioto, que tinha de forma livre e responsável, assinado (em 2002).

Se as consequências deste anúncio são graves e potencialmente dramáticas para o mundo, as razões apresentadas são espantosas: Por um lado, porque não tendo adoptado as medidas necessárias para reduzir as emissões para os níveis a que se tinha comprometido, os custos económicos correspondentes são demasiado elevados (cerca de 10,3mil milhões de euros). Por outro, porque quem assinou o Protocolo de Quioto pelo Canadá foi o anterior governo!!!?

Esta é a mais dramática demonstração do valor dos compromissos de limitação – seja sob a forma de Protocolo seja pela sua inscrição na legislação – e de como se alteram, ou nada valem, em função dos seus custos económicos imediatos.

Neste caso, é espantoso também porque a solução encontrada na génese do Protocolo de Quioto foi a da atribuição de um valor económico de mercado às emissões. Isto é, as externalidades negativas da actividade humana, no caso as ambientais, passaram a ter um valor monetário para que o comportamento e as opções económicas as tivessem em conta.

Impressiona o falhanço. Assusta o incumprimento, de um compromisso de um governo e dos objectivos deste Protocolo. Aterroriza as consequências, ambientais para o futuro e de mimetismo de outros governos no imediato.

Se um qualquer Grego ou outro Europeu ousasse dizer que não cumpria os compromissos que assumiu, pelos custos económicos que representam e por ter sido adoptado pelo país por um Governo anterior, seguramente as bolsas entrariam em depressão profunda, metade dos outros países viriam rapidamente exigir responsabilidade e retratamento e os comentadores encheriam páginas e programas de críticas, estupefacção e sentida indignação. Não foram convocadas Cimeiras de urgência.

Mas aparentemente, em questões ambientais e em que não estejam envolvidas directamente instituições financeiras, cumprir ou não os compromissos e obrigações não é uma questão.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Ambiente, Ética, políticos e sindicais. ligação permanente.