A arte de morrer longe *

O investimento, a cooperação, a internacionalização da economia e a afirmação nacional no estrangeiro, e em particular nos países emergentes e na lusofonia, poderia ser uma estratégia. Mas, manifestamente, a recente proposta do Primeiro Ministro de emigração dos professores sem colocação não tem este carácter positivo. E sucede à proposta de um outro membro do Governo para que os jovens o fizessem também.

Não é uma proposta de afirmação da lusofonia, porque o mesmo determinou o despedimento de dezenas de professores de Português no estrangeiro a partir de Janeiro. Não é um Programa nacional, porque é apenas uma proposta de acção individualizada. Não é uma concepção de intervenção para concretização de determinada visão, porque não tem objectivos mas é apenas uma resposta de quem não sabe o que fazer mas é o primeiro responsável por coordenar as potencialidades para resolver.

Os territórios deprimidos não se caracterizam apenas pela falta de população, mas também por a mesma ser envelhecida e sem classificações. Qualquer elementar estudo sobre um território e as suas potencialidades humanas, económicas e sociais sabe que estas variáveis são absolutamente relevantes. O mais impressionante é como esta ideia do governo responde negativamente a todas elas: reduzir a população, diminuindo o peso dos mais jovens e qualificados.

Hoje mesmo, o programa radiofónico “tubo de ensaio”, fazia o paralelismo desta proposta de Passos Coelho com o de um nadador salvador que vendo alguém a afogar-se, em vez de o tentar salvar, lhe sugere que aproveite a corrente e vá morrer noutra praia.

* Título de um livro de Mário de Carvalho

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Uma resposta a A arte de morrer longe *

  1. Daniel Ribeiro diz:

    Sem comentários…

    «O comissário europeu dos assuntos sociais, Laszlo Andor, mostrou-se hoje muito preocupado com a emigração de jovens europeus para outras paragens, nomeando “Brasil, Angola e Moçambique”, “Alguns jovens já estão a sair da Europa para encontrar emprego em países como os EUA, o Canadá, Austrália ou o Brasil, Angola e mesmo Moçambique dependendo da sua língua de origem”, lamentou o comissário. (…)
    “Esta tendência não pode continuar: não apenas arriscamos perder uma geração inteira mas também há um custo financeiro. Há, aliás, um recente estudo europeu concluiu que o fardo dos actuais níveis de desemprego para a sociedade é de cerca de dois mil milhões euros por semana ou um pouco mais de 1% do PIB da UE”. E por isso, a comissão de Durão Barroso “apela de forma urgente à acção europeia mas também nacional e local” para travar esta sangria geracional.»
    in
    http://economico.sapo.pt/noticias/bruxelas-contraria-passos-no-apelo-a-emigracao_134170.html

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