…de um comentário sobre Galos…à história económica…

De um comentário por Ronaldo Rosa feito ao desenho do Luís Henriques,

“Sinceramente o que me choca ou chocou, foi a primeira exportação que fizemos para a Holanda, que foram os Judeus ou os chamados cristãos novos, isso sim foi uma perda para Portugal e fez com que sejamos dos países mais atrasados da Europa na nossa economia e o que explica que um país que foi conquistado ao mar e só tenha Tulipas, como bem disse, seja dos mais ricos da Europa. Preferia ter exportado todos os Galos deste País invés de ter expulsado o nosso maior recurso ou seja o capital humano que possuiamos com o povo Judaico que eram Portugueses como os outros mas que apenas tinham outra religião.”

à história económica, no artigo de Anderson e Rei, apresentado recentemente no Portuguese Economic History Workshop, que teve lugar no Instituto de Ciências Sociais, em que se defende que a perda de posição de Portugal no comércio com a Ásia e a subida da Holanda se deveu à saída dos Judeus de Portugal para a Holanda e em menor grau para a Inglaterra, não tanto pelo seu número como pela rede de contactos globais para comércio que isso significava. A imagem seguinte retirada de Anderson e Rei é sugestiva, e convida à leitura do artigo referido.

Sobre Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa
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7 respostas a …de um comentário sobre Galos…à história económica…

  1. Desde de já agradeço o comentário do Dr. Pedro Barros, acredite que é uma honra ter despertado o seu interesse para um comentário meu, um simples aluno de Ciência Política e Relações Internacionais. Não conhecia o artigo mas irei ler atentamente pois é uma tema pelo qual me interesso. Gostaria de dizer em primeiro lugar algo fundamental para a minha linha de raciocinio, que é o facto de ser Açoriano, da ilha do Faial, Açoriano? E que isso tem haver para o caso perguntam que este arligo ler. Pois em boa verdade vos digo que pelo fato de ter havido um ilustre conterrâneo meu no século XIX a dizer o que eu já disse, seu nome Antero, Antero de Quental. Ilustre de pensamento, ilustre de nome mas sobretudo ilustre Açoriano e Português. Antero escreve um livro, algo pequeno e de muito fácil leitura, chamado “Causas da decadência dos povos Peninsulares”, no qual descortina sobre os fatores que levaram a que a Peninsula e sobretudo Portugal de Império passa-se a Estado em estado permanente de pobreza franciscana. Ora os fenómenos foram três (ou não fosse 3 a conta que Deus fez): um moral,um político e outro económico. Mas neste caso o que nos interessa é o moral, em nome de Deus expulsamos os Judeus a força económica do país, Portugal ficou mais pobre mas também ficou despido de humanidade pois os crimes que cometemos foram horriveis, nas palavras de Quental, ” Há em todos nós, por mais modernos que queiramos ser, há lá no oculto, dissimulado, mas não inteiramente morto, um beato, um fanático ou um jesuíta! Esse moribundo que se ergue dentro de nós é o passado. É precisso enterrá-lo por uma vez, e como ele o espírito sinistro de Trento.”, aqui encontramos a razão para que passados 500 anos Portugal ainda cumprir os seus votos de uma pobreza franciscana, de uma pobreza de espírito mas pior do que isso de uma pobreza de valores e pensamento… Não me alongo mais no meu comentário pois não quero maçar quem me esteja a ler, contudo quero que esta ideia paire no ar, esta crise não é de agora, não é culpa nem da Europa nem dos últimos governos, a nossa crise como Estado já tem longas raízes e seus alicerces são os próprios Descobrimentos, aquilo que todos pensam nos ter trazido sorte também nos trouxe desgraça, pois todo o bem tem seu mal ou não tivessem os Deuses criado o Mundo e colocado todo o seu lixo numa caixa, a caixa de Pandora, que uma vez aberta libertaria todo o mal… Assim se escreveu a história de Portugal pois os Portugueses não se contentando com a sua prosperidade quiseram ver o que havia na caixa de Pandora e para saquear os Judeus durante meia dúzia de anos, com vista a uma riqueza fácil, tiveram os sucessores de andar a saque durante centenas….Obrigado pela atenção😉

    • Jorge Bravo diz:

      Meu caro, se der ao trabalho de pesquisar as origens de Alexandre Herculano vai-o levar a umas deliciosas conclusões.
      A propósito a família Moncada, mestres relojoeiros de S. Miguel ainda existe? É que eu já não vou aos Açores desde 1980 e perdi o contacto com a boa gente dessa terra.

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  3. Jorge Bravo diz:

    Já por outras paragens levei á colação Antero e “A causa da decadência de Portugal”, o grande mérito dele foi trazer para a luz política um facto inelutável já anteriormente referido por outros e enterrado na poeira de mil ignomínias, em que se insere esta expulsão e a que a antecedeu que alem disso é a responsável pela quebra de confiança entre cidadão e estado.
    Muito se fala de D.João III e da inquisição, mas de facto foi D. Manuel I quem quebrou o contracto de confiança com eles (que já vinha desde D. Afonso Henriques) quando do massacre do Rossio seguido dos baptismos colectivos e forçados ao engano e da ordem de expulsão, depois comutada em mais 40 anos de permanência, isso e o não ter por omissão sido suficientemente firme na repressão dos culpados (é notável que tal massacre tenha dado origem a um inquérito judicial que tal como os actuais não levou a lado nenhum, embora estivesse claramente identificado quem incitou ao massacre) levou a que eles saíssem do reino primeira para Inglaterra poucos e para feitoria do reino na Holanda a maioria, depois desta para o Brasil, de seguida do Brasil para os Estados Unidos (alguns de volta a Holanda) onde fundaram um colónia que também recebeu os que já instalados na Holanda se fixaram defensivamente nos Estados Unidos fundando em conjunto a prosperíssima e famosa Sinagoga El Toro.
    Com o apoio dado por D. João III á inquisição é que se deu a debanda final.
    Como também houve saída para os novos territórios ainda se manteve o crescimento comercial durante algum tempo, tendo o reino pela via militar mantido o ascendente no próximo século.
    Sobre a ida de volta ao oriente recordo o magnífico Grácia Náci, recente livro de Esther Mucznik, que explica e contextualiza o que foi para o reino, a perda também para esse lado do resto do mercado.
    Espanha depois da derrota da sua armada com os ingleses fez o controlo da inquisição e acabou por fazer mesmo de forma encapotada, é certo, o retorno de algumas famílias, só nós é que levámos o sistema até D. José I reinado em que este finalmente controlou a inquisição, mas o desastre já estava feito e nunca mais houve a confiança suficiente para o retorno da comunidade judaica, o bom acolhimento que ela teve na II guerra mundial entre nós, por ser á margem do regime foi mais uma oportunidade perdida.
    Para os sempre relativistas com dificuldade de ver a dimensão da coisa, foi um movimento que para o reino representa á escala actual o que seria se a Microsoft e a Boeing em simultâneo, tivessem perdido em poucos meses os departamentos de vendas, os pontos de vendas e as encomendas, os departamentos de marketing, logística, financeiro e desenvolvimento de produto, tudo ao mesmo tempo.

  4. Obrigado pelos vossos comentários. Ajudam a enriquecer e a pensar em como se pode facilmente perder “recursos essenciais”, com efeitos de décadas e séculos sobre a economia.

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