A FLAUTA MÁGICA (na Tasca das Quinas)

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

3 respostas a A FLAUTA MÁGICA (na Tasca das Quinas)

  1. Eduardo Dixo diz:

    Estranho que nesta discussão, que agora é moda na comunicação (dita) social portuguesa a discussão apenas se centre nas ligações entre os políticos e a maçonaria, esquecendo, por um lado, os demais membros de órgãos de sobreania (como os Juízes, os magistrados do MP, etc), e, por outro lado, que apenas a Maçonaria seja o alvo da discussão quando outras sociedades secretas (talvez tão ou mais influentes) como a Opus Dei, fiquem de fora do debate.
    Assim, à questão sobre se os políticos devem ser obrigados a divulgar as suas ligações à Maçonaria, creio que a resposta apenas deverá ser positiva se se reunirem duas condições:
    – se for igualmente obrigatória a divulgação das ligações a outras “sociedades secretas”; e
    – se essa obrigação for extensível a todos os que exercem cargos públicos (políticos ou não).

  2. Luís Henriques diz:

    Caro Eduardo Dixo, obrigado pelo seu comentário,

    Desde que li Guerra e Paz do Tolstoi, a minha opinião, talvez um pouco literária e desfasada da realidade (confesso que não tenho estudado muito o assunto), é a de que houve, e ainda há, indivíduos – movidos, infelizmente, por interesses privados que contradizem o empenho no progresso da humanidade – que se servem de organizações como a Opus Dei ou a Maçonaria, como plataformas de conveniência para reforçarem o seu poder, procurando mobilizar, de forma tendencial, os poderes em torno (na política, nos negócios, na polícia, nos meios de comunicação que medeiam a opinião pública).
    Tudo o que a república democrática puder fazer, sem ferir as liberdades e garantias dos cidadãos, tudo o que as próprias organizações puderem fazer, para tirar um pouco de razão ao velho Tolstoi, será bem-vindo.

    Até breve,
    Luís

    • Eduardo Dixo diz:

      Caro Luís, antes de mais, agradeço a sua resposta ao meu comentário. Creio que, no essencial, estamos de acordo. A Democracia (assim com maiúscula) não convive bem com as sociedades secretas, ao passo que nos regimes em que não existe Liberdade, o “secretismo” de algumas sociedades (quando os seus fins são legítimos) é conveniente.
      Assim sucedeu em Portugal onde, durante o Estado Novo, a Maçonaria desempenhou um importante papel não só na divulgação dos ideais democráticos como no próprio processo que conduziu à democratização do país, mais do que a Opus Dei que efectivamente terá constituído um dos suportes do regime ditatorial, sendo conhecidas algumas figuras do Estado Novo, ligados a esta organização que, posteriormente fizeram a transição para a democracia (e convém não esquecer que mesmo entre as figuras do Estado Novo existiam pessoas ligadas à Maçonaria.
      Mas, igualmente, convém fazer uma clara distinção entre a Maçonaria e as maçonarias, tendo por base os respetivos objectivos. É que se a primeira, eentendida como legítima, pode não ser prejudicial à Democracia (pois não pressupõe uma agenda de influência das decisões )as segundas são altamente perigosas (pois visam exclusivamente a concretização dessa agência).
      Igualmente, parece ser ponto assente que não pode haver Democracia sem Transparência, por isso defendi (e defendo) que a obrigatoriedade de revelar as ligações a “sociedades seretas” deve ser simultaneamente alargada: a TODAS as “sociedades secretas” e a TODOS os cargos públicos (políticos eleitos, magistraturas, assessores, noemados, etc.)

Os comentários estão fechados.