… Com os pés assentes no chão

(Estas linhas tiveram por mote o post Pastel de Nata que o Pedro Pita Barros colocou no blog Momentos Económicos … e não só)

1. – Este é um assunto delicado.

Há empresários nacionais que para concorrerem internacionalmente com produtos “made in outro país da europa (mesmo da europa do sul)” começam com um “handicap” de + de 30%  (quanto ao preço e à margem que podem obter).

Deve haver o maior cuidado em rodear de credibilidade, responsabilidade e competência a imagem ou a ideia que se associa a “Portugal”… e todo o cuidado é pouco.

Tenho as maiores dúvidas quanto à ideia de que a “competividade” nacional estará garantida ao assegurar baixos custos do trabalho… Mas, ao mesmo tempo, não percebo a ideia de “competividade” desligada da credibilidade, da responsabilidade e da competência de quem quer “competir”, ou, pelo menos, dissociadas da sua imagem.

Ao exercício da governação deve ser exigido esse contributo –  esse exemplo, ao menos – para a ideia que se faz de Portugal.

2. – A Resoluçao do Conselho de Ministros nº 56/2011 aprovou “o conjunto de medidas e políticas que integram a iniciativa «Portugal Sou Eu», a qual assenta nos seguintes princípios orientadores:

a) Apoiar a competitividade das empresas nacionais;

b) Fomentar a produção nacional de bens e de serviços com acrescida incorporação de valor;

c) Estimular a mudança de atitude dos consumidores e das empresas, no sentido de reconhecerem a qualidade intrínseca dos produtos e dos serviços nacionais;

d) Dinamizar a procura dos produtos e dos serviços que mais contribuem para a criação de valor em Portugal.”

Importa perceber melhor qual a tradução prática deste “apoiar”, “fomentar”, “estimular” e “dinamizar” nas medidas e políticas que lhes deiam corpo. Convém que estas coisas não teimem em resumir-se a uma espécie de “soundbite” ou a um mero “stick” que se cola aos produtos…

Ao mesmo tempo, gostava de ver mais bem discutida a ideia de “criação de valor em Portugal”.

Arrisco-me a pensar que ela só é sólida e competente se assentar numa matriz estruturante em que o comércio de importação  desempenhe também um papel de relevo. Nestes, como noutros assuntos, convem ter “os pés assentes no chão” e, sobretudo, não fazer com que, de repente, a economia perca o pé e… afunde.

 

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