e o voto do júri é…

Dos últimos posts, dos comentários e da votação, sai sobretudo a existência de visões diferentes.

O texto do André Barata dá, para além da análise de cada um dos feriados existentes, um critério de escolha – o significado para a sociedade de cada um dos feriados e o seu alicerce com a história do país e das suas gentes. Creio ser uma forma de colocar o problema de escolha muito feliz, até porque não precisa de recorrer a sentimentos anti-igreja católica (que gostemos ou não faz parte da nossa história, e tem um significado importante ainda hoje, muito mais notório fora das grandes zonas urbanas).

O resultado da votação está no final deste post, para quem a quiser ver. Dos comentários, retenho sobretudo dois – a relevância dos feriados municipais para alguns municípios, e a ligação do 5 de Outubro ao Tratado de Zamora, dando-lhe um sentido histórico que vai para além da República. E vindo do facebook, um comentário sobre a importância do turismo religioso, em particular o ligado ao culto de Nossa Senhora, com componente económica mas também como factor de reconhecimento do país no exterior.

Na minha visão, quer o dia de Portugal, 10 de Junho, quer os feriados municipais, poderiam ser festejados numa outra data, 5 de Outubro ou 1 de Dezembro, conjuntamente com os aspectos históricos do dia que fosse escolhido.

Nos feriados religiosos, o Corpo de Deus, como festa móvel, surge como pouco relevante. E dos restantes, entre Assunção de Maria e Imaculada Conceição manteria o que seja de maior relevância, religiosa mas também nas dimensões que interessam a um estado laico (preservação de tradições, turismo e projecção internacional).

Em qualquer caso, em lugar de discutirmos gostos pessoais, há a obrigação da decisão pública ser fundamentada em critérios claros, e de serem claras as vantagens e desvantagens de cada opção possível, o que neste caso é até relativamente fácil.

 

 

Sobre Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa
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2 respostas a e o voto do júri é…

  1. Jorge Bravo diz:

    Bem visto!

  2. Daniel Ribeiro diz:

    Grande dinâmica, bons textos, bons comentários.
    Devo dizer que reparei que ninguém discordou dos fundamentos do governo para diminuir os feriados. Mas também ninguem defendeu a sua necessidade.

    Um abraço
    Daniel

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