o problema não é a pessoa…

afinal parece que o folhetim do representante da CGD na PT vai continuar, por cortesia do Daniel Ribeiro, a atenção para o link

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=546689

e aqui.

Mas a discussão parece estar a centrar-se em a pessoa nomeada ter sido membro do Governo anterior. E parte do problema é esse – estes cargos serem “prémios” de rendimento para a classe política.

Só que há outra parte, que é aceitarmos que estes cargos podem ser discutidos para nomeação política. A notícia de discussão destas nomeações no conselho de ministros só levanta ainda mais preocupações – não estava já diagnosticado que um dos problemas das grandes empresas portuguesas é o “apetite” que a classe política do arco da governação tem por elas? a discussão parece confirmar os piores receios, uma vez que nem sequer se fala no perfil técnico ou outro que se pretende para estes cargos, e sim apenas como escolhas de natureza política – não há forma de o estado deixar de tentar ser actor directo no mundo empresarial?

O retirar o estado da economia significa deixar ao sector privado a condução das suas actividades. Intervenção de regulação e enquadramento não significa nem controle directo das decisões empresariais nem “premiar” com cargos nas empresas privadas ex-decisores políticos. Claro que quem passa pela vida política tem direito a retomar a sua actividade posteriormente. Mas deve fazê-lo sem necessidade de nomeação pelo poder político subsequente, deve fazê-lo pelos seus méritos próprios. Aliás, nesse sentido as nomeações pelo poder público para pertencer a orgãos de empresas privadas que são ou aparentam ser de natureza política só diminuem quem as obteria por mérito individual.

 

Sobre Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa
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Uma resposta a o problema não é a pessoa…

  1. Jorge Bravo diz:

    Exactamente!
    É por isso que temos que nos continuar a indignar com a continuação de tal “apetite!.

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