medição de audiências

estava ontem no exercício de zapping entre telejornais e dou de repente com a RTP a fazer uma análise das medições da GfK e da Marktest sobre os jogos de futebol da semana – com o juízo de valor que o jogo em que participa o Benfica tem que ter maior número de telespectadores do que o jogo do Sporting, porque é o Benfica que tem maior número de adeptos. E a competição onde está o Benfica é mais importante que a competição onde está o Sporting. E que a primeira empresa dá mais espectadores ao segundo jogo do que ao primeiro. Já a segunda empresa tem os “valores certos”, com maior audiência para o jogo do Benfica.

Aparentemente há aspectos técnicos a serem resolvidos, mas pergunto-me se a RTP deve mesmo ser enviesada na forma de apresentar uma notícia onde é claramente parte interessada. Até podem ter razão, mas a argumentação usada é forçada e pouco séria … pelo menos nas inferências sobre os jogos de futebol, apresentadas sem qualquer base. Não há nada que obrigue a especial cuidado e isenção quando se dá notícias onde se tem interesse directo? problemas de conflito de interesses? enfim…

Sobre Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa
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3 respostas a medição de audiências

  1. Daniel Ribeiro diz:

    Esta questão já parece mesmo “futebolês” – se os resultados não são bons a culpa é sempre do árbitro…. E se a CAEM cede agora então é que a coisa fica bonita!

  2. Completamente de acordo com a falta de isenção nessas “noticias”. Para além disso, temos aqui um custo de oportunidade certamente a considerar. Será que o contribuinte comum se interessa por analisar os shares televisivos na altura de escolher o canal que vai ver? Assumindo que não (por extrapolar a minha própria posição sobre o assunto) então porque tenho de custear como contribuinte as dezenas de minutos televisivos que a RTP tem desperdiçado com esse tema e os salários dos técnicos que analisam esses mesmos dados?
    Em alternativa, devia estar a ver informação ou programas de qualidade.
    A discussão sobre as lutas de audiências até pode ser um assunto interessante para se discutir nos foruns próprios como associações do sector e reuniões da Administração da RTP com os medidores. Agora utilizar o prime time para esse tipo de quezílias, parece-me claramente exagerado e com pouca consideração para o consumidor e contribuinte médio

  3. além disso, os aspectos técnicos deveriam ser resolvidos em discussões técnicas, a questão central é que junto com cada ponto de share vai dinheiro dos anunciantes, que é escasso, e a tentativa de não perder esses pontos de share leva a que cada televisão tente colocar a opinião pública do seu lado como forma de pressão, o que leva a situações ambíguas em termos de conflito de interesse (que poderia e deveria ser declarado) mas também de isenção de análise,

    uma das afirmações proferidas foi que as medições estão a ser feitas pela empresa que ficou em último lugar na avaliação técnica – mas quantas empresas participaram? 2, 4, 334? se foram duas, a que ganhou ficou em segundo lugar, mas também último, na avaliação técnica, e a que distância?
    se o concurso definiu condições de qualidade mínima a serem preenchidas, e todas preencheram, e essas condições de qualidade foram aceites pelas televisões antes do concurso ser aberto, porque há agora a queixa sobre os critérios técnicos e a escolha incorporando o efeito preço?
    É esta falta de isenção que realmente me custa!! mesmo que haja motivos de queixa sobre as falhas no actual processo de medição de audiências, a forma como o assunto está a ser tratado merece reparos

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