Coesão… pois claro!

Este post é inspirado pela resposta que o Pedro Pita Barros teve a gentileza de dar a um comentário que fiz ao seu post anterior – aqui. Obrigado Pedro pela resposta. Ainda assim, não sei se percebo bem ao que te referes…

Mas sempre digo que me parece um importante “activo” a existência de coesão política e social no sul da Europa – e em Portugal, pois claro. A questão não é essa… mas sim o facto de se considerar que a ideia de coesão fica em causa se não for em torno da ideia X. Ora, parece-me normal haver pessoas que defendem que seria mais útil aos nossos destinos que as políticas (e assim a coesão política e social) se organizasse em torno da ideia Y, em vez da outra – veja-se, ao lado do HW Sinn, aquilo que afirma G Soros no mesmo J Negócios, por exemplo… 

Vai sendo cada vez mais evidente que os “memorandos” terão que ser postos em causa, de forma mais ou menos sub-reptícia, mesmo pelos seus próprios autores ou por outrem em sua vez que não penalize em demasia a face política da coisa. A seu tempo….

Parece-me que os tais “aforradores do norte” são suficientemente inteligentes para não lhes servir de consolo serem apenas os últimos a afundar.

Entretanto, claro que a medida (mesura) é boa conselheira… até porque há algumas coisas no dito “memorando” que seriam bem mais úteis (ver PPPs por exemplo e mais concorrência em dados sectores, também por exemplo) do que esta espécie de violenta aterragem da economia, que tem apenas servido para enviarmos os tais sinais … para as tais percepções…. Penso que se está a confundir esta “osteoporose” com que se tem minado o nosso tecido económico com a reforma da economia e a criação de condições para aumento da competitividade.

É que a medida (mesura) parece-me de facto boa conselheira em ambos os sentidos … e as vias de sentido único tendem a acabar em becos sem saída.

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5 respostas a Coesão… pois claro!

  1. Olá Daniel,
    a preocupação quando escrevi o texto foi despertada pela leitura do texto do Hans-Werner Sinn, que vem na sequência de outros textos e posições dele, bem como de algumas conversas com pessoas dos países do Norte e da Alemanha em particular.
    Mais do que ver Angela Merkel como condutora da opinião pública, tenho ficado com a sensação de serem opinion-makers como o Hans-Werner Sinn que conduzem a opinião pública e por arrasto Angela Merkel.
    A ser assim, talvez mereça um esforço comunicar mais directamente com essa opinião pública e não pensar que tudo se resolve convencendo Angela Merkel.
    Não avancei com nada mais, mas certamente valerá a pena especificar o que se quer transmitir – coesão europeia – como dizes, que também eles perdem se o Sul da Europa continuar neste sentido, bem como a forma como se quer transmitir. Será mesmo necessário levar até ao fim o programa de austeridade? parece-me ser a tua pergunta fundamental, e que deve merecer reflexão.
    Abraço

  2. Jorge Bravo diz:

    Isso mesmo meu caro Pedro Pita Barros.
    Mas quanto se tinha poupado em tudo, dinheiro, sofrimento, aos cidadãos Europeus se estes tivessem sido consultados pelo menos desde o plano Delors pelo voto direto e não pelos que se designam como iluminados?
    Quanto de teria poupado se Maastricht não fosse mais que triste do princípio ao fim, a começar pela falta de consulta pelo voto direto obrigatório aos cidadãos.
    Quanto se teria poupado se o Tratado de Lisboa não fosse ainda mais que triste do princípio ao fim, a começar pela falta de consulta pelo voto direto obrigatório aos cidadãos.
    O problema é desde o princípio:
    1º Uma ausência da mínima ideia do que se quer como projeto para um Europa Unida (federal ou confederada ou em cantões) e da falta de consulta direta aos cidadãos quanto ao modelo, por isso uma questão politica.
    3ºNão se ter dado tempo ao tempo para a criação de um verdadeiro espirito de união com equidade entre os países independente da sua dimensão é uma questão politica.
    4º Uma questão de falta de identificação dos cidadãos com o projeto porque não são consultados diretamente e isso também é uma questão politica.
    5º Uma regulamentação e políticas sectoriais em que se fez e faz o benefício de alguns em detrimento dos restantes, sem equidade e mais uma vez sem consulta direta aos cidadãos, e isso é uma questão política.
    6ºLançar dinheiro, como foi feito, para calar a falta de consulta direta aos cidadãos e com isso comprá-los e degradando a sua possibilidade de decisão é uma questão politica.
    7º É uma total falta de coerência a criação de uma moeda única sem união política prévia, é acrescentar uma questão económica que em consequência das anteriores, se tornará de imediato uma questão politica.
    Por isso toda a questão está errada desde o princípio.
    Ou se toma consciência que avançar de disparate em disparate até à destruição final é levar ao colapso de tudo de sul para norte e se corrige tudo desde o principio e para isso surgem estadistas em todos os países à altura ou a Europa irá mergulhar noutro conflito feio como aqueles que tem feito a catarse dos disparates nos seculos anteriores.
    Não gostaria a assistir a um conflito de Secessão na Europa

  3. jdanielribeiro diz:

    Obrigado Pedro e obrigado Jorge.
    Claro que o programa de austeridade merece ser repensado. Repara que se a economia e as pessoas e Portugal fossem um “ajustamento orçamental”, então tudo estaria bem, como ainda hoje o senhor P Thomsen nos disse de nós mesmos. Eu também acho que ele tem razão – o “ajustamento orçamental” está a correr bem. Enquanto tivermos capacidade de empobrecer em sua honra o “ajustamento orçamental” correrá bem. A questão é que tudo o resto corre mal e de forma tão violenta que essa é mesmo a grande ameaça ao dito ajustamento…. Claro que o programa de austeridade merece ser repensado. Toda a gente já percebeu que vai servir para pouco mais do que piorar a situação, mesmo os “aforradores do norte” começam a percebê-lo. O senhor Thomsen não pode é dizer estas coisas. Não é esse o seu papel.
    A economia não precisava de ter desacelerado desta maneira. E como ninguém espera um 2º semestre melhor do que este está a ser, não creio que o PIB este ano seja melhor do que (- 4%). Lá para o fim do Verão, com o desemprego a crescer, é de esperar mais um anúncio de mais uma taxa extra de IRS sobre o SNatal e Sférias dos privados. E vamos ver o IVA… e o sem número de taxas e tributos avulsos.Claro que o “ajustamento orçamental” está a correr bem! Mas só para isto também não eram necessárias tão “boas mãos”. A ver se há também “boas mãos” para o resto…
    A primeira receita para crescer é ter capacidade para crescer. E é isso que este programa não está a deixar que aconteça. Está a secar valor… Por muito que as exportações melhorem, não são elas quem vai resolver o assunto! Não há economia que se desenvolva sem procura interna, sem consumo e sem investimento. Não julgo que a nossa dívida externa tivesse aumentado mais do que já aumentou se o programa tivesse sido aplicado com mais proporção. Sem tanta fé e com mais medida…

    E sim, julgo como o Jorge que há um conjunto de pressupostos sobre os quais a moeda única assentou e assenta, que estão errados desde o início. Claro que isso é política, economia política. Ou seja, uma das artes do possível. Por isso é que é tão importante existirem diferentes ideias sobre a forma de alcançar a coesão … Por isso é que a politica e a democracia são vitais para a Europa e para todos nós.

  4. Jorge Bravo diz:

    Desculpem este comentário não é para este blog, é o que faz eu estar em transito no “pouca terra” e o Pedro Pita Barros tambem estar no Momentos económicos.
    As minhas desculpas mais uma vez.

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